
No dia 10 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, uma data dedicada à sensibilização para o suicídio, à promoção da prevenção e ao combate ao estigma associado à saúde mental.
Mais do que assinalar uma data, este é um momento para refletir sobre a forma como falamos de sofrimento psicológico, sobre a importância de procurar ajuda e sobre o papel que cada pessoa pode desempenhar na construção de ambientes mais seguros.
Em 2026, termina o ciclo de três anos da campanha internacional “Changing the Narrative on Suicide”, promovida pela International Association for Suicide Prevention (IASP), em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos em todo o mundo.
O suicídio é um fenómeno complexo e não existe uma única causa capaz de explicar todas as situações. Podem estar envolvidos diferentes fatores, como problemas de saúde mental, isolamento social, violência, discriminação, perdas ou dificuldades económicas.
Por isso, a prevenção precisa de diferentes respostas, entre elas:
- Acesso a cuidados de saúde e apoio psicológico;
- Redução do estigma relacionado com a saúde mental;
- Fortalecimento das redes de apoio;
- Identificação de situações de sofrimento;
- Informação responsável;
- Políticas públicas de saúde mental.

Muitas pessoas continuam a ter dificuldade em falar sobre aquilo que estão a sentir. O medo de serem julgadas, a vergonha ou a ideia de que devem conseguir resolver tudo sozinhas podem fazer com que permaneçam em silêncio.
Comentários como “isso passa”, “tens de ser forte” ou “há pessoas com problemas piores” podem parecer formas de tranquilizar alguém, mas acabam por desvalorizar o sofrimento dessa pessoa.
O sofrimento não precisa de ser comparado nem justificado para merecer atenção. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
Existe uma ideia bastante comum de que uma pessoa que fala sobre suicídio não irá realmente tentar fazê-lo ou que está apenas à procura de atenção.
Esta ideia pode ser perigosa.
Nem todas as pessoas que falam sobre suicídio estarão necessariamente em risco imediato, mas uma manifestação deste tipo deve ser levada a sério. Não podemos avaliar a gravidade de uma situação simplesmente assumindo que alguém “não faria isso”.
Uma pessoa pode estar a tentar pedir ajuda ou a procurar uma forma de comunicar um sofrimento que não consegue explicar.
Por isso, devemos evitar respostas como:
- “Estás só a querer atenção”;
- “Quem quer fazer não avisa”;
- “Deixa de fazer drama”;
- “Tu nunca terias coragem”.
Em vez de tentar decidir se alguém está ou não a falar a sério, é mais importante ouvir, não julgar e incentivar a procura de apoio adequado.
Quando alguém decide falar sobre aquilo que está a sentir, nem sempre procura uma solução imediata. Muitas vezes, encontrar alguém disposto a ouvir pode ser o primeiro passo para que essa pessoa deixe de sentir que precisa de enfrentar tudo sozinha.
Não precisamos de ter a resposta perfeita nem de resolver o problema. Podemos começar por:
- Ouvir sem julgar, dando espaço para a pessoa falar;
- Levar a sério, sem assumir automaticamente que é drama ou exagero;
- Demonstrar presença, mostrando que existe alguém disponível para ouvir;
- Incentivar a procura de ajuda, principalmente quando a situação ultrapassa aquilo que conseguimos acompanhar;
- Reconhecer os nossos limites, porque apoiar alguém não significa substituir um profissional.

A forma como este tema é apresentado também importa.
Uma comunicação responsável deve evitar sensacionalismo, romantização, julgamentos e descrições desnecessárias, privilegiando informação que possa contribuir para a prevenção.
Ao falar sobre o tema, devemos dar prioridade a:
- Prevenção;
- Saúde mental;
- Procura de ajuda;
- Apoio;
- Recuperação.
Mudar a narrativa não significa apenas falar mais. Significa aprender a falar melhor sobre o assunto.

A internet tornou-se uma parte importante da vida social. Jogos, redes sociais, servidores e comunidades digitais permitem criar amizades, encontrar pessoas com interesses semelhantes e estabelecer relações que vão muito além do espaço virtual.
Por isso, aquilo que acontece online também pode ter consequências reais.
Comportamentos como:
- Bullying;
- Perseguição;
- Humilhação pública;
- Ameaças;
- Exposição de informações pessoais;
- Utilização das vulnerabilidades de alguém para o atacar.
Estes comportamentos não devem ser tratados simplesmente como “coisas da internet”.
O ecrã é virtual. A pessoa do outro lado não é.
NO HABBLET, POR TRÁS DE CADA AVATAR EXISTE UMA PESSOA
Dentro do Habblet criam-se amizades, grupos e comunidades. Para muitos jogadores, o hotel é sobretudo um espaço de diversão e convivência.
Mas aquilo que vemos através de um avatar representa apenas uma pequena parte da realidade de cada pessoa.
Não sabemos como foi o dia de alguém, quais são os problemas que enfrenta ou aquilo que pode estar a acontecer fora do jogo.
Por isso, mesmo num ambiente virtual, o respeito continua a ser importante.
Não precisamos de gostar de alguém para o respeitar.
Podemos discordar, afastar-nos ou terminar uma amizade sem transformar essa pessoa num alvo de humilhação ou perseguição.

Uma comunidade saudável não é aquela onde nunca existem conflitos. É aquela onde os seus membros conseguem reconhecer os limites e evitar que esses conflitos se transformem em comportamentos prejudiciais.
Cada pessoa pode contribuir através de pequenas atitudes:
- Não participar em humilhações;
- Não incentivar ataques;
- Não utilizar vulnerabilidades como motivo de piada;
- Denunciar comportamentos inadequados;
- Procurar ajuda quando uma situação ultrapassa os próprios limites;
- Pensar antes de publicar ou enviar algo.
- Não podemos resolver todos os problemas de alguém, mas podemos escolher não acrescentar mais sofrimento.
A prevenção começa antes de existir uma emergência.
Começa quando combatemos o estigma, quando deixamos de ridicularizar quem procura ajuda e quando criamos espaços onde uma pessoa possa dizer que não está bem sem medo de ser imediatamente julgada.
Também significa saber reconhecer quando uma situação ultrapassa aquilo que conseguimos acompanhar e encaminhar a pessoa para apoio especializado.
ONDE PROCURAR AJUDA?
Se esta notícia te fez pensar em alguém que possa estar a passar por uma situação difícil, ou se reconheces em ti a necessidade de apoio, não precisas de esperar por uma crise para procurar ajuda.
PORTUGAL
112 - Número Europeu de Emergência
Para situações de emergência ou perigo imediato.
SNS 24 - 808 24 24 24
Linha de orientação e encaminhamento na área da saúde.
BRASIL
CVV — 188
O Centro de Valorização da Vida disponibiliza apoio emocional gratuito, 24 horas por dia.
Em situações de emergência, devem ser procurados os serviços de emergência disponíveis na região.
ESTADOS UNIDOS
988 — Suicide & Crisis Lifeline
Disponível através de chamadas, mensagens de texto e chat para pessoas que estejam a atravessar uma crise relacionada com saúde mental ou suicídio.
Em situações de perigo imediato, devem ser contactados os serviços de emergência.
OUTROS PAÍSES
Quem estiver noutro país deve procurar a linha de apoio à crise ou o serviço de emergência disponível na sua região.
Em caso de perigo imediato, deve contactar os serviços de emergência locais ou dirigir-se a um serviço de urgência.
O ano de 2026 marca o terceiro e último ano da campanha “Changing the Narrative on Suicide”.
Durante este ciclo, a campanha procurou incentivar uma mudança na forma como o suicídio é discutido, promovendo maior abertura, compreensão e responsabilidade.
O fim desta campanha não significa, porém, o fim da necessidade de falar sobre o assunto.
O Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio acontece uma vez por ano, mas as dificuldades emocionais não seguem um calendário.
A prevenção precisa de continuar através da informação, do acesso a cuidados, das redes de apoio e da forma como tratamos as pessoas no nosso dia a dia.
Falar sobre prevenção do suicídio é falar também sobre empatia, responsabilidade e saúde mental.
Não precisamos de conhecer toda a história de alguém para escolher tratá-la com respeito. Não precisamos de ter todas as respostas para ouvir. E não precisamos de ser profissionais para perceber quando uma situação exige ajuda especializada.
No mundo real ou através de um ecrã, existe sempre uma pessoa do outro lado.
No Habblet, nas redes sociais, nos jogos ou em qualquer outra comunidade, por trás de cada avatar existe uma pessoa.
E mudar a narrativa começa precisamente por isso: aprender a ouvir, saber quando procurar ajuda e deixar de tratar o sofrimento como algo que deve ser escondido.

Mensagens da nossa equipa
O Setembro Amarelo é também um momento para lembrar que uma palavra, um gesto ou simplesmente estar presente pode ter um significado enorme para alguém.
Por isso, alguns membros da nossa equipa quiseram deixar uma mensagem especial, partilhando algumas palavras de apoio, carinho e esperança. Que cada uma delas possa chegar a quem precisa e lembrar que ninguém precisa de enfrentar os momentos difíceis sozinho.

Boo
“Assim como o girassol procura a luz mesmo depois dos dias mais cinzentos, nós também podemos procurar um pouco de luz nos momentos difíceis. Que nunca nos esqueçamos de que, mesmo quando tudo parece escuro, ainda existe esperança e sempre podemos encontrar alguém disposto a caminhar ao nosso lado.”
Brisaa.
“Entre a dor e o fim, que sempre exista uma mão estendida, uma conversa e a possibilidade de recomeçar.”
Moranguinha
“Às vezes um ‘como você está?’ dito com carinho, salva um dia inteiro.”
Yikari
“Mesmo quando a dor parece não ter fim, sua história ainda pode encontrar novos caminhos. Fale, peça ajuda e não enfrente isso sozinho.”
E.L.Angel
“Um elogio, um incentivo, um abraço, uma demonstração de apoio pode ser a esperança para quem precisa.”
Lameuzera
“Não desista do amor,Não desista de amar, Não se entregue a dor,Porque um dia ela vai passar”
DJDemitido
“Às vezes, tudo o que alguém precisa para continuar é saber que não está sozinho. Fale, escute e peça ajuda. Sua vida importa”
Bayanix
“Pedir ajuda não é sinal de fraqueza e sim de que juntos somos mais fortes, não desista!”
Gaspar
“Nem sempre sabemos o que alguém está enfrentando. Por isso, escute, acolha e esteja presente. Se estiver difícil, não enfrente tudo sozinho. Pedir ajuda é um ato de coragem. Sua vida importa.”
Aqualedi
“Por favor, jamais desista de você. Tudo que esteja passando é passageiro, nada é para sempre.
Mesmo que sejamos falhos, não falhe com aquilo de mais precioso que temos, que é a vida.
Busque sempre ocupar a mente, faça algo que goste, tente externar tudo que esteja sentindo com quem você confia, faça sempre amigos novos se possível, tente cuidar da sua autoestima e corpo, sempre se alimente e beba bastante água.
E lembre-se:
SEMPRE o sol aparecerá após as tempestades ”
Zarattras
“Um momento difícil não define toda a sua história, ainda existem dias que você não viveu, pessoas que você não conheceu e momentos que você não imaginou. Sua história não termina no capítulo mais árduo.”
![]()
OldHabblet - Aqui a diversão nunca envelhece.
Nos siga nas redes sociais: @OldHabblet
Comentários (11)
Você precisa estar logado(a) para comentar.